A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia) promoverá o Seminário sobre Construção do Conhecimento Agroecológico de forma integrada ao V Congresso Brasileiro de Agroecologia que será realizado em outubro próximo, em Guarapari-ES. O seminário terá por objetivo colocar em debate e sistematizar aprendizados de experiências de promoção da transição agroecológica por meio da interação de pesquisadores e/ou extensionistas com grupos organizados de agricultores(as).
Os debates no evento serão precedidos e orientados pela apresentação de experiências que deverão ser previamente sistematizadas para esse fim. Este termo de referência tem por objetivo definir o objeto do debate no seminário e indicar os contornos das sistematizações que serão apresentadas no evento. Ele propõe alguns pontos de atenção que deverão ser ressaltados na descrição e análise das experiências e apresenta a metodologia e o cronograma do processo preparatório do seminário.
JUSTIFICATIVA
A Agroecologia vem se desenvolvendo como ciência à medida que novos enfoques metodológicos para a construção do conhecimento vêm sendo exercitados e aprimorados nas múltiplas e diversificadas iniciativas voltadas à transição agroecológica conduzidas a partir da interação entre as comunidades rurais e o universo científico-acadêmico.
A experiência brasileira nesse campo é particularmente rica e cheia de ensinamentos a serem sistematizados e socializados. Em todas as regiões do país desenvolvem-se experiências de aproximação entre instituições de ensino, pesquisa e extensão, sejam elas governamentais ou não governamentais, com organizações de agricultores mobilizadas em torno ao desafio de promover maiores níveis de sustentabilidade dos agroecossistemas com base nos princípios da Agroecologia.
Com a evolução dessas iniciativas, os procedimentos metodológicos próprios do difusionismo tecnológico vêm aos poucos sendo abandonados, dando lugar a processos de inovação local fundamentados na ativa participação de agricultores e agricultoras na geração e disseminação de conhecimentos sobre a gestão dos agroecossistemas.
Seja pelos seus avanços ou pelos desafios que têm pela frente, as experiências em curso têm muito a ensinar umas às outras. Elas demonstram, na prática, possíveis caminhos para a efetivação do diálogo de saberes entre técnicos(as) e produtores(as) nos processos conducentes à transição agroecológica. Ao mesmo tempo em que jogam luzes sobre novas possibilidades metodológicas para a construção do conhecimento agroecológico, as experiências concretas revelam os obstáculos que ainda estão antepostos para que a participação efetiva das comunidades rurais seja exercitada e desenvolvida nos programas de desenvolvimento local.
Embora as experiências nesse sentido venham se multiplicando e ganhando crescente reconhecimento acadêmico, elas caracterizam-se ainda pela baixa visibilidade e grande isolamento mútuo. Dar visibilidade a essas iniciativas e facilitar a interatividade entre os grupos que as promovem é uma condição para que as abordagens metodológicas inovadoras evoluam e se disseminem com maior consistência entre as instituições de ensino, pesquisa agrícola e extensão rural.
Com o Seminário sobre Construção do Conhecimento Agroecológico, a ABA-Agroecologia pretende favorecer um ambiente de reflexão e intercâmbio sobre abordagens metodológicas empregadas por instituições de pesquisa (incluindo universidades) e de assistência técnica e extensão rural em suas ações para a promoção da Agroecologia.
OBJETIVOS
Aprendizado - O esforço coletivo de sistematização deverá favorecer o aprendizado mútuo entre os grupos e instituições envolvidos com iniciativas nesse campo. Não devemos com o seminário procurar “as boas metodologias” nem tampouco definir receitas universais a serem prescrevidas indistintamente. O pluralismo metodológico que caracteriza as práticas em curso deverá ser evidenciado e valorizado como elemento central no processo de aprendizado coletivo.
Identificação de avanços e desafios - A análise coletiva do conjunto das experiências sistematizadas e debatidas fornecerá subsídios orientadores de estratégias para a institucionalização do enfoque agroecológico nas instituições oficiais de pesquisa e Ater.
Elaboração de um conjunto de proposições para as instituições oficiais de pesquisa e Ater bem como aos órgãos de fomento à pesquisa e desenvolvimento rural.
METODOLOGIA
O Seminário ocorrerá em dois turnos a serem realizados respectivamente nos dias 03 e 04 de outubro. No primeiro turno os participantes serão distribuídos em grupos nos quais serão apresentadas e debatidas de duas a três experiências previamente sistematizadas e selecionadas pela organização do evento. No segundo turno, com todos os participantes reunidos em plenária, serão apresentados os relatos e conclusões dos debates ocorridos no dia anterior e uma síntese do conjunto das sistematizações submetidas ao seminário. Em seguida a palavra será franqueada à plenária para que possamos identificar coletivamente os principais avanços alcançados pelas experiências em curso e os desafios para que elas se multipliquem e se aprimorem.
As experiências que serão apresentadas no primeiro dia do seminário serão selecionadas entre as que forem apresentadas aos organizadores do evento. Os autores das sistematizações selecionadas serão notificados para que preparem uma exposição sintética (15 minutos) e que confirmem sua presença no evento.
A ABA-Agroecologia fará gestões junto a organismos financiadores para viabilizar fundos para a publicação do conjunto das sistematizações submetidas (inclusive as não apresentadas no evento) e o relato dos debates no seminário bem como seus encaminhamentos.
OBJETO DAS SISTEMATIZAÇÕES
O Seminário centrará o seu foco nos procedimentos de construção do conhecimento agroecológico adotados na interação entre os profissionais de pesquisa e Ater com as comunidades de produtores familiares. A ênfase a ser dada, portanto, não está nos produtos dessas interações, i.e., os resultados econômicos, ecológicos e socioculturais dos processos de inovação agroecológica. Os produtos das atividades de pesquisa e/ou ATER deverão ser apresentados no contexto do processo de construção coletiva de novos conhecimentos e não como fins em si, desvinculados do contexto socioambiental em que foram gerados.
Os organizadores do Seminário estimulam que a sistematização seja resultado de um processo de reflexão coletiva que seja capaz de mobilizar as equipes técnicas e representantes das comunidades envolvidas. As experiências a serem sistematizadas deverão necessariamente atender às seguintes especificações:
- Envolvimento de grupos de produtores(as) familiares (agricultores, agroextrativistas, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores etc) na condução do projeto ou programa sistematizado;
- Descrição e análise do processo de construção e desenvolvimento da interação com os grupos de produtores(as);
- Identificação de lições aprendidas, procurando destacar os avanços e as limitações da experiência.
ESTRUTURA DOS DOCUMENTOS
As sistematizações deverão ser apresentadas em documentos de até oito páginas com as seguintes especificações: Tipo: Times New Roman; Fonte: 12; Espaçamento entre linhas: 1,5 . Além das oito páginas, o texto poderá vir acompanhado de fotos em formato digital que ilustrem momentos significativos do processo sistematizado (até cinco fotos).
O documento deverá ser estruturado nas seguintes partes:
- Título – deverá ser um título ao mesmo tempo sintético e que situe o leitor do conteúdo da experiência sistematizada (evitar títulos genéricos tal como “Agroecologia e desenvolvimento comunitário”).
- Resumo – deverá conter no máximo 200 palavras, situando a experiência em seu contexto socioambiental, os principais atores envolvidos e suas formas de interação.
- Palavras-chave: até três
- Descrição e análise – Essa seção deverá apresentar elementos adicionais sobre e contexto em que a experiência se desenvolveu, os problemas e oportunidades que motivaram a experiência, os atores envolvidos, suas formas de interação e papéis, as formas de financiamento do processo, os resultados, etc. As seguintes questões orientadoras poderão ser úteis (De quem partiu a iniciativa da interação na experiência sistematizada: da comunidade ou da instituição de pesquisa e/ou Ater? Como a comunidade foi mobilizada para interagir com o programa ou o projeto sistematizado? Como foram definidos os temas que deram lugar aos trabalhos de pesquisa e/ou Ater desenvolvidos com a comunidade? Quais foram os papéis dos membros da comunidade e os dos técnicos na condução do processo de interação? Como os membros da comunidade se organizaram para interagir com a instituição de pesquisa e/ou Ater? Já haviam organizações locais anteriormente ou novas organizações foram criadas para a condução do projeto e/ou programa? Quais foram as atribuições da instituição de pesquisa e de Ater (oficial ou não) na condução do processo? Quais têm sido os principais resultados do processo de interação (para a comunidade e para as instituições de pesquisa e de Ater)? Quais têm sido as principais dificuldades para a condução da experiência (para as instituições de pesquisa e Ater e para a comunidade)?
- Lições aprendidas – Indicar os principais aprendizados que a experiência proporcionou para os atores envolvidos e os obstáculos mais significativos encontrados durante o seu desenvolvimento.
CONDIÇÕES
A diversidade geográfica e de inserções institucionais das experiências será um dos critérios adotados para a seleção dos casos que serão apresentados no seminário. Não se trata, portanto, de uma seleção baseada unicamente no mérito qualitativo das experiências. A intenção dos organizadores é a de selecionar um espectro diversificado de casos que possam abranger os variados tipos de ensinamentos e desafios que vêm sendo vivenciados em iniciativas dessa natureza.
As despesas de viagem e de hospedagem dos autores das sistematizações selecionadas para a apresentação deverão ser arcadas pelos mesmos. A organização do V CBA dispensará a taxa de inscrição de um expositor por experiência selecionada/apresentada. Ao encaminhar os documentos com as sistematizações, os autores deverão informar se pretendem ou não participar do Congresso.
CRONOGRAMA
Prazo para entrega dos documentos de sistematização – 10/08/2007
Prazo para a notificação dos autores das experiências selecionadas para a apresentação no Seminário – 10/09/2007
Seminário sobre Construção do Conhecimento Agroecológico (Pesquisa e ATER) – 03 e 04/10/2007.
Submissao de documento de Sistematizacao:
As sistematizações deverão ser encaminhadas para o: 5CBA_sistematiza@ufrgs.br até o dia 10/08/2007.
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