Principais aspectos debatidos nos grupos
Guarapari, Espirito Santo , Brasil, 4-5 Outubro 2007
Grupo 1 - Redes de Construção do Conhecimento
Facilitadores – Paulo Petersen (AS-PTA), Romier Sousa (GTNA) |
Significado das redes agroecológicas:
- A organização dos processos de construção do conhecimento em redes de pesquisa tem cumprido variadas funções que vão desde a capacitação, o fortalecimento das organizações locais, a inovação tecnológica local, a interação sinérgica entre instituições, etc.
- As redes criam ambientes favoráveis à da pesquisa científica aos processos de desenvolvimento local.
- As redes de pesquisa/extensão ajudam a romper com o isolamento social de agricultores, superando com isso a noção de assistência técnica individualizada.Os conhecimentos são gerados no interior da rede com base no estímulo à experimentação e a realização de intercâmbios.
- Relação da rede com outros espaços, “beber na fonte” de outras experiências,
- As sistematizações das experiências cumprem um papel fundamental como meios para a construção das redes.
- Participação das mulheres e jovens nos processos de experimentação e intercâmbio proporciona condições para que eles ganham maior visibilidade social e política.
- As experiências de redes provocam mudanças nas rotinas das instituições de extensão e pesquisa. Estas são forçadas a repensar suas práticas.
Processo de construção do conhecimento
- Nos intercâmbios, o portador do conhecimento é o portador da experiência. O agricultor que apresenta a sua própria experiência é reconhecido por isso. Seu conhecimento também é considerado como válido para os que estão interagindo na rede.
- Esses processos de reconhecimento social são geradores de empoderamento dos atores envolvidos e, por conseqüência, ajudam na construção da auto estima.
O debate dos resultados das pesquisas com agricultores de uma das redes demonstrou aspectos importantes do ponto de vista metodológico/conceitual. A evidência de que a produção para o auto consumo é essencial para a estratégia de reprodução das famílias e de que os agroecossistemas devem ser geradores de seus próprios insumos.
Grupo 2 – Metodologias de sistematização
Facilitadores/as: Sérgio Martins (UFSC), Irene Cardoso (UFV) e Virgínia Almeida Aguiar (MDA/SAF/DATER) |
Metodologia |
Parcerias interinstitucionais (ONGs, organizações, movimentos populares, instituições de pesquisa, extensão, ensino |
Objetivos políticos do processo de construção do conhecimento |
Sistematização da experiência |
Necessidade de buscar a simplicidade do método para possibilitar o diálogo entre pesquisadores/extensionistas e agricultores; flexibilizar o rigor cientifico;
Caminhos percorridos pela extensão rural
- Superação da valorização dos saberes, mas não interação de saberes; Superação da transferência da tecnologia em direção a:
- Diagnosticar os problemas – independente da metodologia, com ou sem o DRP
- Experimentação
- Monitoramento
- Sistematizações
- Intercâmbios
- Aprofundamentos dos processos – pesquisa acadêmica
Participação dos agricultores em todo o processo, inclusive na formulação desenvolvimento da pesquisa acadêmica (como? |
Dificuldades e desafios: Tempos diferenciados dos atores,
Metodologias diferenciadas (rigor x relevância); Quais métodos? Como?
Necessitando negociação e concertação interinstitucional
Necessidade de outra formação do corpo docente
As redes podem ser organizadas por bioma e possibilitam estudos comparados e troca de experiências
Aprofundamento dos processos, envolvendo universidades e instituições de pesquisa |
Relações sociais e políticas no território
Busca de uma nova matriz tecnológica
Participação dos agricultores como processo de construção de cidadania e empoderamento, influenciando a proposição de políticas publicas |
Necessidade de definir objetivos e centrar o foco da sistematização
Problema das dificuldades da escrita, tanto para o técnico como para o agricultor
A sistematização como processo de reflexão da prática, sistematização do aprendizado
Quem sistematiza é quem vivenciou a experiência. Necessidade de contemplar o olhar de todos os atores e não somente dos técnicos |
Grupo 3 - Transição Agroecológica
Facilitadores: Fábio Dal Soglio (UFRGS) e Claudemir Favero (UFVJM) |
Pergunta geradora: Como se dá a relação dos diferentes atores na construção do conhecimento?
- Interação dos atores na construção do conhecimento
- Desafio metodológico diante das especificidades locais
- Intercâmbio
- Relação de confiança e autonomia na relação (auto-confiança)
- Expectativas não superadas dos agricultores
- Falta de espaço para participação efetiva dos agricultores
- Importância de envolvimento dos estudantes no processo, como processo de formação de técnicos
- Relação do saber acadêmico e o saber do agricultor – postura dos técnicos
- A demonstração das experiências ajuda no processo de incorporação de novas pessoas
- Importância das escolas família agrícola (EFAS) no processo de construção do conhecimento
- Relação de confiança dos atores durante o processo de construção do conhecimento, tanto entre as instituições, como dos próprios agricultores: auto-estima, reconhecimento de que são portadores de conhecimentos
- Como relacionar saber acadêmico e saber camponês? Não há problema desde que seja baseado nos pressupostos da educação emancipatória
- Entraves:
- Dificuldades apresentadas pela multiplicidade de instituições que tem focos e objetivos diferentes
- A multiplicidade de atores atuando no mesmo processo pode levar a dispersão, o que compromete a construção do conhecimento
- Muitos programas se baseiam no assistencialismo e não na construção de processos.
Grupo 4 - Desenvolvimento local
Facilitadores: João Carlos Costa Gomes (Embrapa Clima Temperado); Marcelo Galassi (SASOP-BA); Demétrius (APTA-ES) |
Protagonismo dos atores |
Relações institucionais |
Questão metodológica |
Dificuldades |
A Agroecologia se consolida a partir da base, da realidade local, não é um novo pacote;
O ponto de partida: necessidade de conhecer a realidade através de diagnósticos: outras referências, a dos agricultores, protagonistas dos processos de apropriação;
Ponto comum das experiências: promoção das pessoas, empoderamento e satisfação em participar dos processos de construção do conhecimento
Participação das mulheres e dos jovens; diálogo dos diferentes atores como pressuposto para um mundo diferente;
Planejamento inclusivo, onde todos tem a possibilidade de participar
Envolvimento dos consumidores; valorização, aumento da auto-estima dos agricultores; relação rural-urbano fortalecida; |
Relações com o poder público: necessidade de se estabelecer relações de confiança entre os atores envolvidos
Relações políticas para poder gerar políticas públicas
Aproveitar estruturas já existentes para aumentar a capilaridade dos processos (PAA, Salas Verdes, Conselhos, Feiras, TV Pública) |
Rigor: exigência das agências financiadoras;
Uso de instrumentais e da experimentação como fator de desconstrução e reconstrução; repensar acadêmico;
Processo formal de investigação X participação;
Academia como espaço de discussão; inclusive de discussão do seu papel;
Uso de instrumentais de experimentação: repensar acadêmico, desconstrução e reconstrução metodológica; |
Romper com o individualismo, egoísmo, egocentrismo
Experiências ainda isoladas, mesmo que em processos participativos
Como manter a sustentabilidade após a saída do apoio financeiro externo?
Dificuldade de irradiação (replicabilidade): Como conectar criticamente as experiências, que muitas vezes são muito localizadas, com outros movimentos, outros locais? Consolidação de redes? |
Temas aglutinadores definidos a partir dos trabalhos dos grupos
Após a apresentação dos relatores dos subgrupos, o debate em plenária foi organizado a partir de 3 temas aglutinadores:
(1) Relações institucionais, enfocando na reflexão de como se constrói parcerias, os tempos e espaços diferenciados dos atores (instituições e agricultores) envolvidos na construção do conhecimento agroecológico e os papéis das instituições;
(2) Protagonismo dos atores, enfocando as relação de poder na construção do conhecimento;
(3) Enfoques metodológicos - rigor-relevância, escala para quebrar o isolamento;
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